sábado, 5 de maio de 2012

A odisseia de Dublin

O dia começou normalmente, o mais tranquilo possível. Fui almoçar no Mensa com o pessoal, de lá voltei pro apartamento de Guilherme, fiquei deboando até considerar que já era tempo de arrumar minha mala. Mais uma vez eu tinha a difícil missão de colocar roupas em quantidade suficiente para durarem uma semana inteira sem fazer com que o volume da mochila estourasse as dimensões limitadas pela Ryanair. A solução pra resolver esse problema foi optar por uma única bermuda e duas camisas para serem usadas durante os três dias do festival. Afinal, se a galera passa 3, 4 dias acampando sem ao menos tomar um banho, não vejo problema nenhum em reutilizar a roupa suja.

Já havia decidido de que horas eu pegaria o trem para Bremen. Eu sairia de Braunschweig de 17:20, chegaria em Bremen de 19:40 e teria tempo suficiente para chegar até o aeroporto e embarcar às 21:55. E como eu tenho essa mania de fazer as coisas sempre em cima da hora, saí de casa às pressas, cronometrando os horários dos bondes para conseguir ainda parar na estação do centro da cidade para ir até o shopping e comprar um cartão de memória para a máquina fotográfica e voltar a tempo de pegar o próximo bonde para a estação. Nada como um pouco de tensão antes de embarcar, mas o sistema de transporte de Braunschweig nunca falha.

Pena não poder dizer o mesmo do sistema ferroviário nacional. Nas últimas semanas sempre estava rolando algum problema cuja razão eu desconhecia e acabava atrasando os trens que eu pegava. Pois é, eu não tinha me lembrado desse detalhe. Assim que cheguei na minha plataforma e olhei escada acima, vi o letreiro que anuncia o destino para o qual o trem parte com uma listra branca e uma mensagem se movendo na parte superior. Meu corpo inteiro gelou. Aquela listra só podia significar um atraso. Eu me aproximei do letreiro até conseguir enxergar o que a mensagem dizia, e a situação era pior do que eu pensava. Eram 50 minutos de atraso no trem. Logo em seguida anunciaram no auto falante que tinha chovido muito e alguns raios tinham danificado o trilho no meio do percurso de Braunschweig para Hannover. Resumindo: Fudeu!

Fui imediatamente para a máquina de tickets procurar quais outros trens eu podia pegar até Bremen, checar horários, etc, etc. A única opção que eu tinha era pegar um trem IC até Hannover e depois pegar um ICE para Bremen. O IC estava marcado para chegar às 17:50 e levaria meia hora até Hannover, e talvez se eu conversasse com os cobradores e explicasse o problema do outro trem que atrasou eu conseguisse usar meu passe de estudante e viajar sem pagar. Os minutos de espera foram agonizantes, terríveis. E a agonia aumentou depois que o relógio marcou 17:50 e nada do trem. Logo em seguida vinha o aviso de que o trem estava atrasado dez minutos. A angústia aumentava. Se ele atrasasse demais eu perderia o segundo trem.

Finalmente ele apareceu. E eu não era o único que queria pedir para viajar de graça. Um monte de gente avançou em cima dos funcionários do trem reclamando e eles acabaram liberando todo mundo para pegar o IC. E eu passei meia hora num dos corredores do vagão inquieto, me perguntando por que aquilo tudo estava acontecendo comigo, o que eu havia feito de mal ao mundo para merecer isso.

Cheguei em Hannover e corri para a plataforma do trem seguinte. Mais um atraso. Dessa vez foram uns cinco minutos, mas também foi um atraso. Embarquei e fui atrás do primeiro funcionário para comprar com ele um bilhete para Bremen. Tive que desembolsar 25 euros porque estava viajando de ICE, mas contanto que eu pegasse meu voo eu teria pago o preço que fosse. Agora só me restava esperar até o trem chegar em Bremen. Uma vez ele tendo saído da estação, só uma catástrofe para fazer o trem parar no meio do caminho.

Agora eu poderia me sentar numa cadeira confortável, mas a tensão era tão grande que eu me tremia. O coração pulsava acelerado e eu estava me sentindo quase enjoado de tão nervoso, mas eu precisava relaxar a todo custo, pois não havia mais nada que eu poderia fazer no momento. Liguei meu tocador de música e passei o resto da viagem olhando pela janela enquanto tentava não imaginar o que poderia acontecer se eu perdesse meu voo. Eu apenas perderia uma viagem para Dublin e o festival mais fodástico da minha vida, isso sem falar no dinheiro que já havia sido gasto nas passagens e no ingresso.

Cheguei em Bremen por volta das nove horas, quando deveria ter chegado às 19:40. O meu voo partia em míseros 55 minutos. Eu não podia perder tempo. Saí da estação correndo para o ponto de parada dos bondes. E mais uma decepção. O bonde que fazia a rota para o aeroporto a cada 20 minutos tinha partido quatro minutos antes. Ou seja, eu teria que esperar mais 16 minutos e outros 17 para chegar até o aeroporto. Se o trem não tivesse saído com atraso de Hannover eu teria pego o bonde na hora.

Não sei se as pessoas que passavam por mim percebiam alguma coisa, mas eu estava quase enlouquecendo. Andava de um lado para o outro me amaldiçoando, pensando como alguém podia ser tão zicado, começar o dia da melhor maneira possível e de repente ver tudo desabando à sua frente. Voltei a rezar, rezar como estava fazendo desde o trem de Hannover para Braunschweig. Rezei para tudo que existe. Para Deus, Alá, Buda, Odin, os deuses egípcios, dos índios, dos incas, para qualquer entidade que tivesse o poder de controlar os eventos que eu não perdesse esse maldito avião. Eu não merecia passar por isso. Eu havia planejado embarcar num trem que me faria chegar no aeroporto com duas horas de antecedência e agora estava ali esperando uma droga de um bonde faltando quase meia hora para o avião decolar. Eu podia ter pego um táxi. Não creio que o trânsito seria grande o suficiente para fazer com que o táxi fizesse o trajeto do bonde com uma diferença maior que 16 minutos. Mas eu estava numa situação que não conseguia pensar em nada. Só rezar. A contagem regressiva para a chegada do bonde durou uma eternidade até ele finalmente aparecer. Então mais uma vez eu me sentei para não ficar parecendo um maluco andando de um lado para o outro do bonde, abracei minha mochila e rezei para que tudo desse certo.

E assim, por volta de 21:40 o bonde parou em frente do aeroporto, a porta se abriu e eu disparei para a área de embarque. Ao chegar no local desejado, encontrei a fila de pessoas já no portão de embarque cheia de gente. Estava ficando mais aliviado. Quando entreguei minha passagem e meu passaporte para um dos funcionário do aeroporto e ele disse para eu me acalmar porque ainda não tinham começado o embarque, eu respirei aliviado. Eu havia conseguido. Não havia perdido o voo. Agora tudo o que eu queria era chegar em Dublin o mais rápido possível.

Só que não havia voos diretos de Bremen para Dublin. Eu ia primeiro para Londres e passaria a noite no outro aeroporto para embarcar de manhã para Dublin. O aeroporto de Londres estava lotado. Não havia um único assento disponível. Um monte de gente estava espalhada pelo chão do aeroporto. Os mochileiros de plantão tinham seus sacos de dormir para dar uma leve sensação de conforto. Eu encontrei um lugarzinho pra mim e tive que me contentar com o casaco que eu tinha para aliviar um pouco a dureza e a frieza do chão. Eu teria algumas poucas horas para dormir até que os balcões de check in fossem abertos de manhã cedo. Meu medo de perder o voo era tanto que eu cheguei a escrever num papel que se por acaso alguém passasse por mim depois das cinco da manhã e visse que eu ainda estava dormindo que tivesse a bondade de me acordar. Não queria correr o menor risco possível de perder esse voo. Mas meu nervosismo ainda era tão grande que eu mal consegui tirar um cochilo.

Então de cinco da manhã eu me levantei meio quebrado. Arrastei minha mochila, agora no modo com rodas ativado para que eu não precisasse ficar carregando ela, executei todos os procedimentos no aeroporto, cheguei tranquilo no meu portão e embarquei.

Finalmente, depois de passar pelas doze horas mais agonizantes de toda a minha vida, eu estava enfim em Dublin. Tudo havia acabado bem.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um merecido descanso em Braunschweig

Então mais um mês de intercâmbio estava chegando ao fim. junho estava se despedindo, mas havia trazido com ele o verão, ótimas viagens e shows fantásticos. E julho prometia ser um mês ainda mais intenso.

Se tem uma coisa que é tão boa quanto viajar é planejar a viagem. O intercâmbio já estava na reta final. Em um mês e meio eu voltaria para minha querida cidade natal, e então era hora de me programar para visitar os locais que eu ainda estava interessado em ir. Com o período e o roteiro da viagem com os meus pais já definida, além das datas do Oxegen Festival na Irlanda e um show de Bon Jovi em Düsseldorf, eu precisava me organizar para que cada um destes eventos se interligasse de maneira perfeita.

E assim, depois de muitas pesquisas, eu finalmente conclui todo o planejamento da minha última viagem, que começaria no dia 7 de julho e se encerraria no dia 30. Tudo cuidadosamente preparado como vocês podem conferir a seguir:

Dia 6 - Saída de Braunschweig durante a tarde, pegar um trem para Bremen, pernoitar na Hauptbahnhof e seguir para o aeroporto.
Dia 7 - Chegada de manhã em Dublin, me encontrar com Rodrigo e Maria e turistar com eles pela cidade.
Dias 8/9/10 - Oxegen Festival.
Dia 11 - Mais um dia de turistagem em Dublin.
Dia 12 - Pegar um voo de Dublin para Bruxelas, turistar em Bruxelas.
Dia 13 - Pegar um trem de Bruxelas para Düsseldorf, ver o show de Bon Jovi, pernoitar na cidade.
Dia 14 - Pegar um trem de Düsseldorf para Braunschweig, arrumar minha mala, relaxar um pouco, dormir.
Dia 15 - Acordar cedo para pegar um trem até Munique, me encontrar com meus pais e turistar em Munique.
Dia 16 - Turistar em Munique.
Dia 17 - Turistar em Munique, alugar um carro e dirigir até Füssen/Schwangau.
Dia 18 - Visitar os castelos alemães e turistar pelas cidadezinhas.
Dia 19 - Seguir de carro até Konstanz e turistar por lá.
Dia 20 - Pegar um trem para Stuttgart e turistar mais um pouco.
Dia 21 - Turistar em Stuttgart.
Dia 22 - Pegar um trem para Paris e turistar por lá até o dia 25.
Dia 25 - Pegar um voo de Paris para Bratislava.
Dia 26 - Turistar em Bratislava.
Dia 27 - Pegar um trem de Bratislava para Viena e turistar em Viena.
Dia 28 - Pegar um trem de Viena para Munique, visitar minha amiga Camilla e fazer uma farra durante a tarde e a noite e pernoitar na Hauptbahnhof.
Dia 29 - Pegar um trem para Berlin, me encontrar com meu amigo Assis e seus colegas, e acompanhá-los na turistagem pela cidade.
Dia 30 - Enfim, pegar um trem de volta para Braunschweig.

Nada mau não é? Mas ainda vai haver muito tempo para essas histórias serem contadas, pois naquele momento eu estava em Braunschweig e tinha uma semana para relaxar ao máximo.

E assim a semana seguiu. Uma ida no boliche, uma ida num clube para nadar um pouco, umas cervejinhas e um churrasquinho no parque com a galera (acho que foi mais ou menos nessa época que nosso estoque de mais de vinte grades de cerveja que estavam no quarto de Poli e Guilherme desde a festa brasileira no final de abril finalmente acabou). Posso garantir com absoluta certeza que por causa dessa festa a cerveja que eu mais consumi na Alemanha se chama Hasseröder. Nesse período eu passei um tempo como convidado no quarto de Rominho e no quarto de Poli e Gui, então eu tive que compensar o incômodo preparando o jantar e lavando a louça da galera de vez em quando. A turma tomou gosto pela cozinha do apartamento dos dois. Quase toda noite tinha gente esperando pra filar o jantarzinho que era preparado lá.

 Uma tarde no parque com direito a um churrasco alemão e algumas cervejas Hasseröder na companhia de Alex, Barretão e do Meninão.

Uma das noites dessa semana acabou ficando marcada quando Kássio adentrou o quartel general dos brasileiros, vulgo quarto 40609 de Poli e Gui, erguendo seu pen drive como se fosse um troféu e dizendo que ali dentro estavam todos os arquivos necessários para a instalação do jogo Counter Strike. Nos instantes que se sucederem todos estavam indo para suas casas para trazer seus notebooks e instalar o jogo. O resultado final desta brincadeira foram algumas tardes e noites desperdiçadas na frente do computador por causa de um joguinho de tiro que todo mundo jogava quando tinha entre seus 10 a 15 anos de idade e eu só havia jogado umas três ou quatro vezes na vida. Obviamente então eu fui o maior fregue de todas as noites. Sempre era o que mais morria e o que menos matava. No auge da nossa jogatina chegamos a reunir dez pessoas conectadas ao mesmo servidor, estando todas elas confortavelmente instaladas no quartel e jogamos por horas e mais horas noite adentro.
O time formado por Kássio, Rodrigo e eu tentando derrotar nossos adversários que se encontravam no quarto ao lado, numa das inúmeras partidas de CS que jogamos durante essa semana.

Nessa rotina de acordar a qualquer hora, ir almoçar no Mensa, passar a tarde planejando minha viagem, escrever no blog, jogar counter strike, dar uma volta de bicicleta pela cidade, jantar, saír pra tomar uma cerveja num bar, ir pra uma festa numa boate e etc, a semana passou rapidamente.

E então chegou a noite de terça. Noite de Jolly Joker. Só que a galera não estava muito animada para ir pra lá, apenas Marcell, e eu acabei não me empolgando também e resolvi ficar em casa. Alguém tinha baixado mais um filme pra gente assistir. Um filme chamado Tron. Só que o filme era tão tosco que depois de uma meia hora eu comecei a considerar a possibilidade de ir para a Joker. Liguei para Marcell que me disse que a casa estava cheia de gente e que estava muito legal por lá. Não tive dúvida. Troquei de roupa rapidinho e corri para a parada de ônibus para pegar o último busão da noite.

E dentre todas as decisões que eu tive que fazer durante o período de intercâmbio, sem dúvida essa de não continuar assistindo o filme e ir para a Jolly Joker, a boate favorita da galera de Braunschweig.

Só que se por um lado não havia como a noite ter terminado melhor, o dia que tinha tudo para ser maravilhoso acabou por me trazer uma série de acontecimentos que me levou a um dos maiores níveis de desespero que eu pude experimentar durante toda a minha vida. Mas essa história merece um capítulo só para ela.

domingo, 8 de abril de 2012

Euro Reise - Estocolmo II

Pois bem, continuando os relatos de Estocolmo, no dia seguinte a turma já estava indo embora. Quem mandou eu atrasar em um dia a chegada. Acabei ficando pouco tempo com eles. Mas Rominho ia voltar para Braunschweig comigo, então tivemos um dia para turistar pela cidade. Dessa vez sem free tours ou pub crawls.

Mas eu pude economizar algumas estalecas suecas pegando a passagem de ônibus de turismo da turma, pois eles haviam comprado um tíquete que valia por três dias. Assim dava pra rodar pelos pontos mais interessantes da cidade sem precisar gastar horas e energia caminhando.

A primeira parada do dia acabou sendo num museu que foi construído para abrigar um navio de guerra sueco do século XVII, o Vasa. Tal qual o Titanic esse navio afundou em sua primeira viagem, só que o caso dele foi ainda pior, pois ele afundou na própria baía de onde havia saído. Na metade o século passado o navio foi localizado no fundo da baía praticamente intacto. Foi feito então um dos maiores resgates náuticos da história. Assim o museu conta toda a história do navio, de como foi que ocorreu seu naufrágio e como foi o processo de resgate e restauração do mesmo. Além disso o museu fala sobre a história de como era a Suécia no século XVII. Um lugar que realmente vale a pena visitar.


Ao longo do dia ainda visitamos mais alguns museus menores, como um museu de artes naturais, um pequeno oceanário, passeamos pelo centro onde eu pude comprar meus souvenires (mais um copinho pra minha coleção, hehe). O dia estava muito bonito, com o sol de verão brilhando intensamente e a temperatura bem agradável. Depois fomos para a estação rodoviária para que Rominho pudesse ficar descansando um pouco enquanto eu passava mais umas duas horas passeando pela cidade e aproveitando pra tirar mais algumas fotos. Estocolmo é uma cidade que vale a pena explorar por uns três dias, principalmente no verão.




Depois do passeio me reencontrei com Rominho na estação, aguardamos a saída do nosso ônibus que levaria quase duas horas para chegar até o aeroporto, onde viraríamos mais uma noite esperando o voo da Ryanair que sairia de manhã cedo. Nada como mais uma noite mal dormida num aeroporto. Mas pelo menos dessa vez eu não havia perdido o voo.

No dia seguinte estávamos de volta a Bremen, de onde pegaríamos mais um trem para Braunschweig. Eu agora estava disposto a descansar um pouco por lá. Depois dos apuros pelos quais em passei em Edimburgo, voltar a Braunschweig não podia ser mais prazeroso.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Euro Reise - Estocolmo

Pois bem, após todos os infortúnios estava eu finalmente dentro do avião certo, no horário certo, pronto para partir e chegar em Estocolmo com um dia de atraso. Ao chegar no aeroporto, a primeira coisa a fazer era sacar dinheiro, pois eu precisava das estalecas suecas. Uma euro parece-me que era algo em torno de treze estalecas suecas. E como eu estava na Escandinávia, o precinho dos serviços por lá não era dos mais baratos não. Mas o que são algumas centenas de estalecas pra quem já havia gasto 120 libras que não estavam na lista de despesas não é?

Como a nossa querida Ryanair gosta de operar em aeroportos de locais inóspitos eu tive que pegar um busão que levava cerca de uma hora e meia até chegar na cidade propriamente dita. Depois de me cansar de observar as paisagens daquele novo lugar da janela do meu ônibus, eu finalmente cheguei no centro da cidade, e com certa dificuldade, consegui encontrar meus queridos amigos. Estávamos enfim (quase) todos reunidos naquela que deveria ser a nossa última viagem num grupo grande. Na comitiva brasileira estavam presentes Rominho, Gui, Barretão, Alex, Barata. No momento não recordo se Rodrigo estava também.

Eu havia me comunicado com eles enquanto estava no aeroporto de Edimburgo pra explicar o que havia acontecido comigo, e eles comentaram que a cidade estava miada pra caramba. A explicação é que o fim de semana que havíamos escolhido para viajar era um grande feriado na Suécia, para comemorar o início do verão chamado de Mittsommerfest. Pesquisas feitas por meus amigos na internet relatavam grandes festas na cidade, mas quando eles chegaram lá foram informados pelo recepcionista do albergue que o fim de semana escolhido para a prática do "nosso tipo de turismo" era um dos piores, pois a turma aproveitava esse feriado para viajar para o interior do país. Resultado: A turma teve que se contentar com o turismo convencional, haha.

A primeira programação após a minha chegada foi visitar o mundialmente famoso Ice Bar de Estocolmo. Alex, como sempre prestativo, havia reservado um horário para nós nesse bar. Tínhamos direito a tomar uma dose de algum drink especial com a vodka mais querida da Suécia, Absolut e a permanecer por 45 minutos num ambiente a 5 graus negativos trajando um casaquinho simplório. Nada demais para quem havia enfrentado o inverno alemão. Abaixo podemos conferir Alex se divertindo bastante no bar.


O curioso dos drinks é que eles eram servidos em cubos de gelo com um buraco no meio para servir de copo. Algo turisticamente fodástico, hehe. Pena que não podíamos levar o copo pra casa (razões óbvias não é?). Engraçado também é que aqueles que que eram mais narigudos acabaram criando uma pequena curvatura na ponta de seus copos quando encostavam o nariz neles para beber.

Durante a noite saímos pela cidade para tentar encontrar algum lugar movimentado que pudesse admitir uma trupe de brasileiros ávidos por uma farra. Como era um domingo e muitos nativos estavam no interior do país, acabamos não encontrando nenhuma opção interessante, compramos algumas cervejas numa loja de conveniência (detalhe: as cervejas na Suécia têm uma graduação alcoólica menor do que nos outros países) e passamos uma boa parte da noite na frente de uma baía, jogando conversa fora e observando o céu que permaneceu com um tom azul escuro durante a madrugada. Céu azul a noite toda, nunca preto, algo realmente maravilhoso de se ver. Agora era assim porque estávamos praticamente no solstício de verão. Imagina a tensão que é no solstício de inverno. O sol que no verão deve começar a nascer umas três da manhã, no inverno se pondo umas três da tarde. Abaixo tem duas fotos para provar o que eu disse. Detalhe para a segunda foto com um relógio marcando 2:45 da manhã.



Ainda há histórias para se contar sobre o dia seguinte. Mas considerando que eu já deveria estar dormindo, vou ficar por aqui e dar continuidade a história num outro dia. Abraços.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um dia no aeroporto

Pois bem, eu havia chegado de madrugada no aeroporto de Edimburgo, com horas de antecedência para o meu voo, e pensava que a única coisa que poderia me atrapalhar seria se eu acabasse dormindo além da conta. Considerando a falta de conforto do meu local de repouso e a preocupação em não perder a hora, dá para imaginar que eu não consegui dormir muito bem.

Mas como eu já estava bem acostumado a dormir em estações, aeroportos, trens e aviões eu teria bastante tempo para compensar essas horas mal dormidas num outro momento. O dia estava começando e o aeroporto já estava bem movimentado nas primeiras horas do dia. Como não havia razão para ficar perambulando pelo aeroporto sem rumo, fui logo me dirigir à área de embarque, pois meu voo não demoraria muito a sair. Mostrei a minha passagem, coloquei minha bolsa na esteira da inspeção de bagagens, peguei ela de volta e me encaminhei para meu portão de embarque, onde algumas pessoas já se encontravam na fila para entrarem no avião.

Eis que quando chega a minha vez, a minha tranquilidade recebe um tapa na cara, uma rasteira e uma cusparada. A comissária me informa que como eu não era cidadão da União Europeia eu precisava de um carimbo que deveria ter sido feito no balcão do check in. Sem esse carimbo eu não poderia embarcar. O detalhe é que faltavam cerca de trinta minutos para o avião decolar. Eu não conseguiria pegar esse carimbo a tempo. Implorei para a mulher de todas as formas dizendo que perderia o voo se fosse pegar o carimbo mas não teve jeito. E como o tempo estava passando não tive outra escolha senão tentar arrumar o maldito carimbo.

E nessas horas a Lei de Murphy é implacável. É claro que o meu voo tinha que sair do portão mais distante possível da saída da área de desembarque. Comecei a correr pelo aeroporto com minha mochila pesada nas costas, passando feito um raio por todo mundo até conseguir chegar no balcão. E aí precisei apelar para a boa vontade das pessoas para passar na frente de todos na fila e carimbar minha passagem. Feito isso fui novamente para a área de embarque. Murphy atacou de novo. A minha entrada não foi aceita porque a passagem já havia sido escaneada da outra vez. Voltei mais uma vez para o check in, consegui imprimir outra passagem. Consegui passar pela área de embarque. E aí a maldita segurança aeroportuária britânica apareceu para me atrapalhar mais ainda. Minha bolsa que na primeira vez passou sem problema desta vez foi  contemplada com uma revista minuciosa. O segurança abriu ela e inspecionou cada centímetro dela com toda a calma do mundo, sem nem sequer notar o quanto eu estava agoniado. Finalmente minha bagagem foi liberada e eu tive que retomar a minha corrida pelo terminal. Minhas pernas doíam, o pouco ar que eu conseguia respirar entrava queimando a garganta e eu cheguei ao meu portão de embarque já quase sem forças para encontrá-lo fechado. Ainda usei o pouco de fôlego que me sobrava para pedir às funcionárias que abrissem o portão, mas meu pedido foi negado. Fim de história. Eu havia perdido meu voo.

Sozinho no portão de embarque, com minha bolsa chutada para aliviar uma parte da minha raiva jogada no chão eu me sentei para ao menos recuperar o fôlego. Ainda bem que eu estava muito cansado porque senão era capaz de eu ter feito alguma besteira e complicado ainda mais a minha situação por lá. Depois do descanso era hora de colocar a cabeça no lugar e resolver como eu faria para pegar outro voo.

Caminhando agora sem a menor pressa pelo aeroporto, fui garimpando informações até chegar num dos balcões de serviço da Ryanair onde a funcionária me informou quais eram os voos disponíveis. Para Bremen só havia voo na segunda, mas para Estocolmo pelo menos sairia um no domingo de manhã. Eu ainda podia me encontrar com meus amigos e voltar de lá para a Alemanha tranquilo.

Resultado final das atuações de Murphy: Cento e vinte libras por uma passagem para Estocolmo e mais vinte e quatro horas de espera no aeroporto. Meio que para me flagelar pelo que aconteceu eu passei o resto do dia me alimentando à base de água e biscoito, munido apenas de uma revista de palavras cruzadas em inglês (que era bem mais difícil de resolver do que eu imaginava). Assim esperei o tempo passar dentro do aeroporto, enquanto a uns quilômetros dali os escoceses e outros turistas se aglomeravam na Royal Mile para ver o Príncipe William e sua esposa que haviam acabado de chegar para visitar a cidade. Pelo menos desta vez pude arrumar uns assentos que não tinham braços, permitindo assim que eu pudesse me deitar esticado. Comecei a cochilar. Acordava e voltava a dormir. Repeti estas ações pelo menos umas cinco vezes até que os seguranças do aeroporto começaram a acordar os dorminhocos, pois o domingo já havia chegado. Mais algumas horas e eu poderia finalmente chegar em Estocolmo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Euro Reise - Edimburgo

Vou tentar cumprir a promessa que fiz a mim mesmo de conseguir terminar as histórias do intercâmbio. Quase deixei este blog morrer, mas não seria justo comigo mesmo simplesmente abandoná-lo sem concluir meus relatos. Então é hora de parar de enrolar e ir ao que interessa.

Pois bem, a última postagem foi sobre Praga, mas cronologicamente eu já relatei o que aconteceu no dia do meu aniversário, e depois de encerrar os festejos rumei para Edimburgo na companhia de Rominho.

Na chegada à cidade eu me impressionei logo com o fato dela ser diferente das demais que eu havia visitado. Nada desse clichê de um rio que corta a cidade, de um ponto central que concentra as atrações turísticas, dentre outras características. Edimburgo se destacava nesse ponto. Seu "centro" é chamado de Cidade Velha e é uma área localizada no alto de um morro, onde se encontra o castelo e várias outras construções centenárias, quiçá milenares.


Descendo o morro em direção ao mar fica a Cidade Nova, que começou a ser planejada depois que o centro começou a ficar pequeno.

Para começar o dia, a melhor opção era sem dúvida o famigerado free tour. Percorrendo as ruas e ladeiras da Cidade Velha, pudemos ouvir algumas histórias de escritores, algumas personalidades, histórias mais aterrorizantes e outras bem curiosas como a do cachorro Bobby, cuja lenda diz que após a morte do seu dono, passou a viver ao lado da sua tumba durante anos até o fim da sua vida, o que lhe garantiu até uma estátua bem fofinha numa das ruas da cidade.

O guia nos apresentou também ao pub onde a autora da série Harry Potter começou a rabiscar as primeiras páginas de sua famosíssima história.

Ao final do tour, retorno ao albergue para um descanso (afinal a maratona de passar a madrugada na hauptbahnhof de Bremen, pra poder de lá seguir para o aeroporto e enfim chegar na cidade é algo deveras cansativo). Durante a noite, a opção não poderia ser outra. Um pub crawl. Uma noite a ser lembrada para sempre na minha vida, pois tive a oportunidade de provar o meu primeiro Scotch Whisky Single Malt em um pub escocês original. Pedi logo dois whiskys diferentes para saboreá-los. O resto da noite acabou regado a cerveja mesmo.


No dia seguinte, uma quinta feira, eu e Rominho nos aventuramos em um tour a dois pela cidade. Visitamos o Scott Monument, uma torre construida em homenagem ao escritor escocês Sir Walter Scott, de onde podíamos subir para ter uma visão panorâmica da cidade e poder apreciar o Castelo de um outro ângulo. Visitamos um morro cujo nome não me recordo (ainda tentei procurar alguma coisa no google, mas não encontrei) de onde pudemos ter mais uma vista legal da cidade e tirar fotos em algumas construções históricas. No fim da tarde ainda deu tempo de visitar o Palácio de Holyroodhouse, vulgo a residência oficial da Rainha quando ela vai pernoitar na cidade. De lá pegamos a Royal Mile em direção à cidade velha, parando a cada minuto para explorar as lojinhas de souvenires.

Durante a noite, acabamos repetindo a dose do Pub Crawl por não termos conseguido nenhuma informação de algum outro lugar que fornecesse entretenimento noturno. E o pub crawl é sempre uma ótima oportunidade pra conhecer uma turma legal e fazer uns brindes. Não posso esquecer de comentar o fato de estar entrando numa boate de onze e meia da noite com o céu ainda azul escuro e sair de lá perto das três da manhã com o céu mais claro do que quando eu havia entrado. Nada como estar em pleno solstício de verão.

De manhã cedo, na sexta, me despedi de Rominho que seguiria para o aeroporto para pegar um voo para Estocolmo e se encontrar com o resto da turma de Braunschweig. Como eu já estava planejando esta viagem antes do pessoal anunciar que queria ir para a Suécia, eu acebei resolvendo minha situação comprando uma passagem para ir no sábado. Portanto eu teria a sexta inteira para explorar a cidade sozinho.

A minha primeira parada não poderia ser em outro lugar, no Museu do Scotch Whisky. Antes de fazer o passeio eu me deixei levar pela loja com alguns exemplares maravilhosos como o Dalmore Candela, que custava a bagatela de 7.500 libras. Um lugar absolutamente fantástico.


E então eu fiz um pequeno passeio num barril acompanhando um vídeo que mostrava o processo de fabricação do whisky. Depois eu e mais alguns turistas fomos para uma sala onde haveria uma pequena degustação. Um especialista nos contou sobre a história do whisky escocês, falando das quatro regiões da Escócia e das peculiaridades dos whiskies de cada região. Fiz a minha escolha pelo whisky de uma delas e me agradou bastante (até porque pra quem está acostumado com os whiskies 8 anos do Brasil, um single malt é a perfeição). Depois da degustação uma visita a uma enorme sala que possui a maior coleção de garrafas de whisky do mundo. E vejam só, ela pertencia a um brasileiro. Um sujeito chamado Claive Vidiz, que chegou a acumular mais de 3 mil garrafas. Sem dúvida eu virei fã dele.


Após este mágico passeio, não me restava mais muito o que ver na Cidade Velha. Decidi então descer o morro em direção ao mar para visitar o porto ou as docas. Foi uma caminhada deveras longa, mas recompensada por uma breve apresentação que os caças da força aérea escocesa estavam realizando. E claro, não podia faltar a foto com o gaitista escocês.

Comentário: essa gaita faz um barulho alto pra cacete!

Encerrei a viagem pegando a minha mochila e matando o tempo em um pub até umas onze da noite, quando peguei o ônibus para o aeroporto. Meu voo só partiria às seis e meia, portanto eu ia ter um tempinho para dormir nos "confortáveis" bancos do aeroporto e em breve estaria em Estocolmo com os meus amigos.

Mas alguns acontecimentos inesperados acabaram por mudar os meus planos...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Euro Reise: Praga

E assim, eu estava em Dresden. Um pouco cansado, é verdade, mas como eu teria muito tempo para dormir em Recife procurei buscar algumas energias dentro de mim para aguentar o fim de semana.

Liguei para e turma, me explicaram onde eles estavam. Falaram de uma praça e a rua que eles estavam ficava entre duas ruas que terminavam nesta praça. Quando cheguei na tal praça comecei a dar a volta nela olhando o nome de todas as ruas. Obviamente a praça era grande pra caramba, com várias ruas que partiam dela e eu vim encontrar a rua desejada depois de ter dado uma volta completa. Se tivesse começado a procurar no sentido contrário seria a primeira rua que eu encontraria.

Deixando esse pequeno azar de lado, daí pra frente foi bem fácil de achar os caras. E qual a minha surpresa quando vejo o furgão de Christoph estacionado na rua sem nenhuma casa que aparentasse ser uma pousada ou albergue por perto. Pois é, os danados estavam dormindo no furgão desde a quinta feira quando saíram de Braunschweig para viajar. E eu teria que entrar na roda também. Pelo menos o carro era "bem equipado" como vocês podem notar na foto abaixo.


O banco atrás de Rominho e Damian virava uma cama e havia um compartimento na parte de cima do carro que a gente puxava e conseguia espaço para mais dois dormirem. Tá certo que éramos cinco, mas isso era só um pequeno detalhe.

Depois dos caras escovarem os dentes (pois é, tem até um lavabo dentro do furgão), lavarem o rosto e a cabeça, no melhor estilo banho de gato pudemos seguir viagem, que foi bem tranquila pelo menos para mim que dormi durante todo o percurso e acordei na capital tcheca.

Já havia passado de meio dia, então só teríamos algumas horas da tarde para dar uma volta pela cidade. Desse tempo disponível perdemos bastante atrás de alguma casa de câmbio para que o pessoal pudesse trocar os euros pelas estalecas tchecas. Só a cargo de informação a conversão Euro/Coroa Tcheca é algo da ordem de 1 para 23. Pense num trabalho que dava para ficar convertendo o preço das coisas. Apesar de tudo, muitas coisas lá são mais baratas. Já que era assim então podíamos nos dar ao luxo de pelo menos trocar os fast foods por um restaurantezinho mais pomposo. Pude então apreciar algumas costelas de porco acompanhadas de um cervejinha tcheca. Por sinal, todas as cervejas tchecas que eu provei eram muito boas.



E assim rapidinho o tempo passou e já estava na hora de realizar mais um pub crawl. Antes disso ainda voltei para o estacionamento onde nosso furgão estava para dar aquela calibrada no desodorante e no perfume e escovar os dentes. Em alguns segundos eu estava novo, hehe.

Mas no ponto de partida do pub crawl iniciou-se uma discussão sobre se realmente iríamos participar do evento ou não. Alguns achavam que valia a pena, outros estavam pensando que não havia muita gente e que podíamos usar o dinheiro do pub crawl para beber em outros lugares, já que a bebida não era tão cara assim. Acabamos optando apenas por seguir o grupo do pub crawl em sua peregrinação através dos bares. Uma cervejinha aqui, um rum com coca ali, um, dois, três bares, e no fim estávamos numa boate de nome complicadíssimo e que é dita ser a maior do leste europeu. E eu não duvido. Eram cinco andares, cada um com dois ambientes, cada um tocando um tipo de música diferente e todos lotados. A partir daí era cada um por si. Quem quiser que fosse para o local que lhe agradasse mais. E no final da noite todos deveriam se encontrar num determinado ponto.

Só que como sempre alguém não cumpre com o combinado (preciso diser que foi o argentino?) voltamos para o furgão eu, Rominho e o espanhol Marcos. Christoph foi outro que sumiu sem dar notícias. Eu preferi voltar logo para garantir meu lugar no carro. Acabei dormindo na parte de cima num local apertadinho e nem um pouco recomendado para clautrofóbicos, mas se é de graça tá valendo.

Acordamos no dia seguinte (tarde obviamente), Damian e Christoph haviam voltado. Damian contando para nós suas histórias de quem perde a noção do que estava fazendo e acaba em situações inusitadas e Chirstoph mostrando algumas fotos da cidade que ele havia tirado de manhã quando estava voltando para o carro. Ainda tivemos tempo de passear mais um pouco antes que a chuva acabasse de vez com o nosso ânimo e só nos deixasse com a alternativa de fazer mais uma refeição e então pegar a estrada para Braunschweig. Cerca de seis horas depois estávamos em nosso destino. É fácil saber qual foi a primeira coisa que fiz ao chegar em casa. Um banho urgente!!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Kings of Leon & Incubus

Como eu disse, lá estava eu novamente em Braunschweig. Não tenho muitas recordações sobre este período que durou mais ou menos uma semana. Não há registro de fotos nem de viagens desses dias, excetuando-se algumas fotos tiradas numa noite onde reunimos a turma toda para passar a madrugada jogando CS (quem por acaso não conhecer digite no google Counter Strike que vai descobrir do que se trata e vai perceber logo que nem vale a pena perder tempo com esse lixo, hehe). Tirando isso com certeza rolou alguma farra em algum canto da cidade. O fato é que eu já estava na contagem regressiva para que chegasse a terça feira e eu pudesse ir novamente a Berlin para conferir o show de Kings of Leon.

O local escolhido para o show foi o Waldbühne, que pode ser conferido abaixo (sempre me esqueci de postar algumas fotos dos lugares que fui, pretendo começar a fazer isso a partir de agora) e eu cheguei meio que em cima da hora do show (de acordo com o horário do ingresso) e acabei ficando na parte mais baixa do anel superior da plateia. Se por um lado eu fiquei longe pra caramba e os músicos da banda ficaram do tamanho de formigas pelo menos o desnível entre cada fileira permitia uma visão perfeita do palco. O terceiro show da turne para mim foi o menos animado. Talvez pelo fato de eu ter ficado meio longe, mas principalmente porque apesar de conhecer várias músicas eu não conhecia a letra de muitas delas, e eu gosto não só de ouvir, mas de cantar junto. De toda forma também foi uma excelente apresentação.



Três dias depois, era hora de visitar Berlin mais uma vez. Surgira um show de última hora que eu também não poderia perder. A banda da vez era Incubus. No fim de maio os caras anunciaram no site deles que estavam iniciando uma turnê para o lançamento de um novo álbum e uma das primeiras paradas seria na capital alemã. Sem perder tempo fiquei só esperando iniciarem as vendas dos ingressos e tratei de garantir o meu. Desta vez eu teria a companhia de dois amigos de Braunschweig, Marcell e Gobbi. E também poucos minutos antes de sair de Braunschweig com eles, acabei marcando uma viagem rápida para Praga no sábado e no domingo. Pegaria um trem de madrugada com destino a Dresden, onde eu me encontraria com Rominho e alguns amigos estrangeiros, entre eles o sempre viadão argentino Damian.

Chegando no local do show de Incubus, percebemos logo do lado de fora que o ambiente era pequeno. Poucos ingressos haviam sido colocados a venda. Talvez uns três mil no máximo. No final das contas foi perfeito. Ficamos bem próximos ao palco, sem muita gente alta na nossa frente para atrapalhar (exceto um maluco que queria a todo custo pular o máximo, mesmo nas músicas mais calmas). Tirando esse pequeno detalhe todo o resto foi fantástico. Um show de qualidade inversamente proporcional ao tamanho do local que fez com que noventa minutos se passassem voando.

E com o show terminado por volta de meia noite e algumas horas de diferença entre o horário atual e o da partida do meu trem para Dresden eu pude realizar uma de minhas atividades favoritas que era passar o tempo na Hauptbahnhof esperando a hora do trem sair enquanto tento dormir um pouco sentado em um banco desconfortável.

Mas como o tempo passa, por mais devagar que seja, finalmente chegou a hora de ir e eu pelo menos pude ser recompensado com uma cabine vazia com espaço suficiente para eu me deitar (podendo até esticar as pernas). Aí sim as horas passaram rápido. Num instante eu estava em Dresden e precisava me levantar e sair do trem para procurar meus companheiros de viagem.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Euro Reise: Copenhagen

Pois é, quase um mês se passou desde minha última postagem. A razão é simples, muitas viagens durante esse período. E aqui vou eu mais uma vez falar de outras viagens.

Voltando no tempo em dois meses, eu me encontro saindo de Berlin, parada rápida em Braunschweig só pra tomar um banho, comer algo, arrumar de novo a bagagem e lá vou eu pegar mais um trem para Hamburgo. Nesse história de Hamburgo/Braunschweig pra cá, Braunschweig/Hamburgo pra lá e mais viagem pra não sei aonde acabei passando horas e mais horas dentro de trens, mas muitas horas mesmo. Sem falar nas horas passadas nas estações esperando por esses trens e das horas em aeroportos esperando voos.

Mas para poder viajar tem que ser assim mesmo, então lá fui eu encarar mais cinco horas de trem de Hamburgo para conseguir chegar em Copenhagen. Cansado como estava tentei dormir um pouco, aquele sono torto que só serve para evitar que os olhos passem o dia todo coçando e as pálpebras pesadas. Mas eis que meu belo sono foi interrompido quando o trem para e o pessoal começa a se levantar, eu olho pela janela e vejo uma parede, todo mundo saindo sem levar as malas e eu pensando que fosse algum tipo de alfândega. Depois finalmente percebo que o trem está dentro de um navio atravessando o Ostsee (também conhecido como Mar Báltico) num trechinho entre a Alemanha e a Dinamarca. Pois é, com o sol brilhando, o vento frio vindo com toda a força e até uma gaivota que acompanhou o navio durante toda a travessia apenas planando, sem sequer bater as asas eu estava enfim na Dinamarca. Hora de voltar para o trem e continuar mais algumas horinhas de viagem.

Chegando na capital dinamarquesa, Rodolfo e Marina já estavam à minha espera. Seria muito provavelmente nossa última viagem juntos. Tiramos o resto do dia para passear pela cidade, tirar fotos e pá e pei e etc, o velho esquema de sempre. De noite acabou chovendo bastante e estragando nossa programação noturna que também nem seria lá essas coisas porque era uma segunda feira. Acabou que eu me diverti bastante jogando sinuca na área de lazer do albergue.

A chuva deu uma aliviada no dia seguinte e as programações principais incluiram uma visita a uma comunidade chamada Christiania, uma comunidade independente localizada dentro mesmo de Copenhagen criada lá pela década de 70 por alguns hippies. Um lugar realmente único para ser visitado. Lá dentro não era permitido tirar qualquer tipo de foto, mas podíamos passear pelo local sem problemas. É um lugar bem interessante cuja visita é obrigatória para qualquer turista. Quem quiser saber um pouco mais sobre a comunidade pode dar uma pesquisana na internet.

A parada seguinte era a fábrica da Carlsberg, a cerveja mais famosa da Dinamarca. Fizemos um tour pela fábrica, ouvimos um pouco da história da cerveja, tudo em prol da degustação oferecida no final do passeio. Uma curiosidade sobre a cerveja era que no início a marca usava o símbolo da suástica, que segundo o folder que falava sobre o símbolo explicava que ele havia sido retirado do rótulo da cerveja nos anos quarenta após ter perdido o seu sentido original.

Depois da visita ainda tive tempo de caminhar um pouco mais pela cidade (acho que caminhei tanto quanto andei de trem). Depois disso era hora de encarar novamente as cinco horas de trem e aproveitar o tempinho dentro do navio que faria a travessia para a Alemanha. E lá estava eu de volta em Hamburgo. Alguns dias depois estava novamente em Braunschweig aproveitando com a turma e só esperando chegar os próximos shows.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Um aniversário muito louco

Vou dar um pulo de duas semanas no tempo e contar logo sobre o dia do meu aniversário para não acabar falando sobre isso somente daqui a um mês. Copenhagen e os outros shows em Berlin ficam adiados para a próxima postagem.

Para comemorar meu aniversário numa terça feira, nada melhor do que fazer um revival de aniversários anteriores. Eu ia jogar boliche com a turma. Convidei a galera e me planejei para sair do boliche direto para a Hauptbahnhof e pegar um trem para Bremen (mais uma pernoite em Bremen) e de manhã pegar o voo para Edimburgo.

Mas eu também queria celebrar com o pessoal de Hamburgo. Liguei para Rodolfo, pedi para ele avisar a galera e lá fui eu mais uma vez fazer o trajeto Braunschweig/Hamburgo. Chegando lá tomei o velho rum com coca comendo batata chips e cantei ao som do violão de Rodolfo acompanhado de toda a turma de Hamburgo até a meia noite, quando a galera cantou parabéns (zum geburtstag viel glück) comemos uma tortinha e o pessoal se despediu.

A manhã do meu aniversário já começou errada. Das duas uma, ou eu não ativei o alarme do despertador ou ele tocou e eu desliguei e voltei a dormir sem perceber. O fato foi que eu acordei às 9:00, hora que eu queria já estar a seguindo para a hauptbahnhof para voltar a Braunschweig. Mas eu ainda tinha que passar em Kiwittsmoor para checar se eu havia recebido alguma correspondência nesse período. Lá fui eu para Kiwittsmoor pela última vez e ao chegar o Hausmeister me diz que não havia nada para mim. Viajei para nada. O problema maior foi que eu havia comprado um cupom num site estilo o Peixe Urbano com uma oferta de óculos escuros por 20 euros. Era só apresentar o cupom em uma das lojas participantes e ver quais os óculos que estavam disponíveis. Mas eu fui inventar de colocar o endereço de Kiwittsmoor como local de entrega ao invés de algum endereço em Braunschweig. Como era de se esperar os correios não enviaram o cupom para Kiwittsmoor e eu perdi vintinho em euros. É incrível como o Deutsche Post é incompetente. Eu tive uma dor de cabeça danada para conseguir receber meus ingressos dos shows que eu fui porque os desgraçados ou eram muito burros para encontrar minha caixa de correio ou simplesmente são uns fdp que têm preguiça de procurar direito e mandavam as correspondências para uma agência dos correios para que eu passasse lá para pegar.

Deixando esse assunto para lá voltei para a casa de Rodolfo e acessei o site da internet para conferir novamente os horários dos trens para Braunschweig e os horários eram diferentes. Quando eu havia olhado da primeira vez eu tinha pesquisado no sentido Braunschweig/Hamburgo ao invés do contrário. O trem com o melhor horário sairia de 13:50 e levaria três horas até Braunschweig. Eu tinha uma hora e quarenta e cinco minutos. Resolvi almoçar com Rodolfo. E aí começa a correria. Vai no supermercado. Compara os preços, compra a comida, volta pra casa, esquenta a água, tempera o camarão, bota o macarrão pra cozinhar, arruma a mala, come rápido, se despede de Rodolfo, sai correndo na rua só para garantir que não vai perder o metrô... ufa! Foi corrido, mas agora eu estava no metrô e levaria 17 minutos para chegar na estação e tinha 22 minutos para pegar o trem. No final havia dado tudo certo.

Tudo certo? Tudo certo uma ova! Eis que a HVV (a companhia de transportes de Hamburgo) me presenteia na estação onde eu trocaria de trem com uma funcionária mandando todo mundo sair do metrô porque aquele em especial não ia sair. Resultado? Perdi a porcaria do trem pra Braunschweig. Fiquei tão irritado na hora que nem quis parar para ouvir da mulher a razão pela qual o metrô não ia sair. Agora ao invés de pegar o trem para Braunschweig de 13:50 e pegar três horas de viagem, eu ia pegar um trem às 14:50 e viajaria por três horas e cinquenta minutos, ainda ia ter que tomar banho e arrumar minhas malas para ir já pronto pra viajar direto do boliche. Resultado, eu chegaria pelo menos meia hora atrasado no meu próprio aniversário.

Só para constar, escrevi isso logo após esses fatos terem ocorrido, pois eu teria que esperar 40 minutos pelo trem na Hauptbahnhof e tinha o computador com a bateria cheia para me distrair um pouco. Ou seja, pude relatar praticamente ao vivo o quão emputecido eu estava com o ocorrido.

E como merda só presta grande, não satisfeitos em já terem comprometido a minha programação para a noite,atrasaram a partida do trem em dez minutos. Mas tudo bem, eu tenho 19 minutos de intervalo para trocar de trem. Eis que eu chego a tempo na estação onde vou trocar de trem e recebo a notícia de que o trem que eu ia pegar ausfallou (não vai partir). Agora não vou mais chegar em Braunschweig de 18:40 e sim às 19:00, isso se no próximo trem não der merda também. Vamos só ver.

E o resultado? O trem seguinte saiu na hora certa, tudo dentro do que estava planejado. Mas como parece que alguém tirou o dia para curtir com a minha cara, no meio da viagem o maquinista vem e diz que rolou alguma treta no meio do caminho e que o trem não encerraria a viagem em Braunschweig e sim numa outra estação. SIM! NÃO É PIADA! ESTOU DESDE UMA E MEIA DA TARDE TENTANDO CHEGAR EM BRAUNSCHWEIG! A solução agora foi ligar para meu amigo Alex e pedir a ele que fizesse o grande favor de me buscar nessa estação. Agora estou dependendo dele para conseguir finalmente chegar em casa.

E aí então acabou a parte que foi relatada ao vivo. Pelo menos daí pra frente deu tudo certo. Cheguei na estação e Alex já estava no estacionamento me esperando, levamos uns 20 minutos para chegar em Braunschweig, me arrumei nas carreiras, preparei minha mala para a viagem e cheguei no boliche às oito horas. Daí pra frente finalmente acabou o stress e eu pude relaxar jogando uma bela partida de boliche com a presença da brasileirada e alguns amigos gringos. E o dia se encerrou com eu e Rominho pegando um trem para Bremen, de onde seguiríamos para mais uma viagem. Próximos destinos, Edimburgo e Estocolmo.

domingo, 3 de julho de 2011

Berlin e mais shows

 Apesar dos também quase três meses que eu havia passado em Hamburgo também terem sido muito proveitosos eu sentia que o meu verdadeiro lugar era Braunschweig. Lá talvez eu tivesse melhores opções para ocupar esse tempo livre que agora eu tinha.Resolvi falar com o Hausmeister do meu alojamento para saber se era possível antecipar o encerramento do contrato do fim de junho para o fim de maio e ele disse que não havia problema. Mas também não foi uma decisão fácil. Eu estaria deixando para trás meus bons amigos Rodolfo e Marina, sem os quais eu não teria conhecido tantas outras pessoas, entre elas os alemães Cristian e Nick, dois sujeitos muito loucos que sabem fazer festa no melhor estilo brasileiro. Nick por sinal chegou a morar um tempo no Brasil, fala português muito bem e disse que já esteve uma vez no carnaval de Olinda e que foi a melhor festa da vida dele. Além deles havia outras pessoas como o russo Anton, nossas amigas gregas e, em especial, uma italiana chamada Irene. Uma pessoa maravilhosa com quem eu tive a oportunidade de compartilhar alguns momentos muito agradáveis durante o curto período de um mês em que nos conhecemos. Ter que trocá-la por Braunschweig foi uma decisão muito complicada. Eu acabei me apegando a ela mais do que deveria, mas sentia que o fim de intercâmbio não deveria ser em Hamburgo e que era hora de procurar um novo desafio e levar comigo as boas recordações dessa cidade maravilhosa que foi onde a minha jornada começou e por muitas vezes me acolheu durante todo esse tempo. Novamente preparei minhas malas (hora de recomeçar o tal do leva e traz), aproveitei a quarta feira véspera de feriado para ir com a galera no bar do alojamento e me despedir de todos. Braunschweig me aguardava novamente, mas eu só voltaria a Braunschweig definitivamente uma semana depois. Na quinta cheguei lá só para deixar algumas bagagens com Rominho, tomar um banho e pegar outro trem com destino a Berlin para a segunda etapa da temporada de shows.

Berlin, a gloriosa capital alemã me dava as boas vindas novamente através da sua Hauptbahnhof gigantesca. Quem estava lá para me dar as boas vindas também era Rodrigo, um velho amigo que havia morado no meu prédio há alguns anos e estava fazendo intercâmbio em Berlin. De lá fui para a casa dele que seria o meu abrigo nas três noites seguintes e descansei um pouco para ir ao show. A banda da vez seria Mando Diao. Um grupo de suecos que eu tive a sorte de verem tocando num festival em Valência pela MTV. Gostei das músicas logo de cara e comecei a pesquisar um pouco mais sobre eles na internet, baixei algumas músicas e virei fã. Chegando na Alemanha deu logo pra ver que os caras faziam muito sucesso aqui na Europa. Eles tinham lançado um CD/DVD de um show acústico e eu aproveitei para conferir mais músicas deles e ficar com o repertório na ponta da língua. O show não fugiu às minhas expectativas. Muito bom mesmo. Virei fã de carteirinha dos caras que conseguiram me manter vibrante durante toda a apresentação mesmo depois de passar cerca de duas horas e meia em pé assistindo duas bandas de abertura até os caras começarem a tocar. Mas no fim eu estava cansado pra caramba. Rumei para a casa de Rodrigo (o local do show estava para a casa de Rodrigo assim como Kiwittsmoor está para o centro de Hamburgo) e fui dormir direto. A sexta seria um longo dia.

Acordando por volta de meio dia, comi alguma coisa, me arrumei e fui com Rodrigo para o apartamento de uma amiga dele que estava morando em Berin também. Por coincidência algumas amigas de Recife que estavam de intercâmbio na França haviam aproveitado o feriadão que havia começado no dia anterior para fazer uma visita a Berlin. Peguei o bonde das meninas e fui turistar por Berlin novamente com elas. A programação noturna não poderia ser outra. Boate, claro. Depois de fazer aquele velho warm up em casa, fomos todos para um prédio onde a festa rolava nos últimos andares e pudemos ter uma vista privilegiada do amanhecer em Berlin na cobertura do prédio. Acredito que eu ainda não tenha comentado nada sobre quanto sol nós temos aqui no verão. Em Berlin, a três semanas do dia mais longo do ano, o céu já está azulado às 3:30, o sol nasce antes das 4:30 e só vai se pôr depois das 21:30. No início era muito massa e coisa e tal, mas depois de um tempo você perde a noção de horário, sem falar que com essa história do sol demorar para se por, fica quente até umas oito da tarde (noite).

E foi para aproveitar esse solzão que a turma de Berlin tomou a tarde do sábado para fazer o velho churrasco no parque no melhor estilo alemão. Salsicha de tudo quanto era tipo, pão de alho e, claro, cerveja. Uma beleza, hehe. O churrasco começou lá pelas cinco da tarde e acabou por volta das dez, quando o sol havia finalmente ido embora. E aí só para não dizer que passamos uma noite de sábado sem sair, fomos para um barinho bater um papo e relaxar. Berlin foi excelente e eu estaria de volta em breve para mais alguns shows. No domingo já era hora de retornar a Braunschweig, só que novamente eu não passaria muito tempo lá. Cheguei no fim da tarde, descansei um pouco e coisa e tal, e de noite peguei mais um trem para Bremen. Ia passar umas três horas enrolando por lá e pegar outro trem para Hamburgo, de onde eu seguiria às 7:30 para uma cidadezinha não muito conhecida chamada Köbenhavn.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Euro Reise - Ibiza, parte 2

Sexta seguimos com nossa jornada de passeio pelas praias e já era possível ver o resultado do sol na pele de alguns companheiros, em especial do argentino Damián que já estava um verdadeiro camarão. Fizemos nosso lanchinho na praia (farofeiro sempre), pulamos de praia em praia tirando fotos, tomando um solzinho e uma cervejinha (cerveja espanhola nem se compara com a alemã), a galera tomou um banhozinho de mar pra refrescar (eu ainda não estava muito afim de entrar na água) e acabamos encerrando a tarde numa praia onde a prática do nudismo era liberada e rolava um mix entre pessoas com roupa de banho e outras totalmente peladonas. Adivinha quem foi que resolveu nos assustar com sua bunda branca... tinha que ser o argentino! Como se já não bastasse ter que aturar o argentino que da cintura pra baixo estava totalmente branco e da cintura pra cima mais vermelho que um pimentão, ele ainda deu uma de doido (sim, ele consegue ser mais doido do que se pode imaginar) e nadou até uma rocha que ficava meio longe da praia e escalou até o topo ) devia ser uns 10 ou 12 metros só pra fazer pose pras fotos da galera que ficou na praia.

Durante a noite era hora de festa de novo. Passamos um tempo na rua dos bares cheia de ingleses e depois fomos para uma boate onde estava rolando uma festa dos estudantes erasmus. Ou seja, a festa era privada. Na base da malandragem brasileira (e argentina) acabou que metade da turma conseguiu entrar e a outra metade não. Lá dentro da boate pelo menos as nacionalidades eram mais mescladas, apesar dos ingleses ainda dominarem o pedaço. O destaque da festa vai para o banho de água que começou lá pelas horas altas da madrugada e inundou o andar mais inferior da boate. Damián, Rodrigo e Kelly se ferraram nessa brincadeira enquanto eu e Rominho ficamos no andar de cima, seguros e (quase) secos.

Sábado rolou mais praia. Desta vez a água já estava numa temperatura um pouco mais agradável e deu pra relaxar tomando um banho de mar e apreciando a paisagem paradisíaca. Relaxar durante a tarde para poder agressivar durante a noite é o que se deve fazer. Para dar um tempo nos sanduíches que comíamos durante nossa farofada, fui com uma parte da turma atrás de um restaurante para matar nosso desejo de comer algum prato de frutos do mar. Terminamos encontrando um local que servia uma Paella por um precinho camarada. Nem precisa dizer que foi a melhor refeição da viagem.

E para fechar a noite tínhamo que visitar uma das boates fodonas de Ibiza. A escolhida foi a Pacha, uma das melhores do mundo. Como ainda não era alta estação não levamos nenhuma facada na hora de comprar os ingressos para a festa. Com os ingressos na mão restava agora fazer o velho warm up na pousada pra todo mundo chegar lá no brilho e não ser estuprado pelos preços das bebidas dentro da Pacha. No final deu tudo certo. Todos se divertiram e pá e num sei o que lá. Apenas nosso amigo Alex acabou se dando mal quando comprou uma cerveja que custava oito euros e dos 50 euros que usou pra pagar, só recebeu dois de volta, pois a bargirl alegou que ele tinha pago com uma nota de dez. Osso.

Domingão foi dia de mazela total, todo mundo acordando tarde, almoçando tarde, fazendo tudo tarde. Depois de comer eu optei por permanecer na pousada deboando enquanto alguns ainda tiveram fôlego para visitar mais uma ou duas praias. A noite foi encerrada na rua dos ingleses novamente. Depois dessas noites nessa rua eu tomei um abuso enorme do sotaque dos ingleses. Eita sotaquezinho de fresco dos infernos.

No último dia, com todos já cansados de praia e festas, a programação foi visitar a cidade velha de Ibiza. Basicamente era um morro cujo topo encontrava-se uma igreja, um pouco mais abaixo um forte e o resto era tomado por casas. Um belo lugar para se ter uma vista geral do mar, do porto e da cidade. Caminhando um pouco aqui,, tirando umas fotos ali, o tempo passou e era quase hora de ir para o aeroporto. Mas ainda dava pra passar uma horinha em uma praia que fosse ali por perto.

Chegando no aeroporto com algum tempo de sobra, eis que um colega (como não era Damián, não revelarei a identidade da pessoa) se dá conta de que havia esquecido de imprimir a passagem  para o voo da volta. (Obs: essa pessoa também não era eu). E a turma da Ryanair cobra a bagatela de 40 euros para imprimir a passagem na hora. Como ele tinha o arquivo no pen drive bastava procurar uma internet house na cidade para ele poder imprimir a passagem. Só que os carros já haviam sido devolvidos para a locadora. Ele não teve dúvida e pegou o primeiro ônibus para a cidade. Os detalhes eram: ele não tinha mais crédito no celular e havia deixado conosco a sua mochila com seu computador e o passaporte. Ou seja, tínhamos que dar um jeito de deixar a mochila com alguém do aeroporto caso ele não voltasse a tempo. Por sorte aos 45 do segundo tempo ele apareceu caminhando como se tivesse todo o tempo do mundo. Passado o susto pudemos enfim retornar para casa tranquilos. O amigo argentino de Damián seguiu com seu mochilão para algum outro país que no momento eu não recordo qual era. A galera pegou o trem para Braunschweig e eu rumei de volta para Hamburgo.

Passei o resto da semana andando pela cidade e pesquisando na internet algum tipo de serviço com o qual pudesse ganhar uma graninha, mas não dei mais sorte. Agora eu já não sabia ao certo o que fazer. Ainda me restavam quase três meses de Alemanha e Hamburgo agora já parecia não ter mais o que me oferecer (em matéria de trabalho). Nesse meio tempo de indecisão recebi novamente a visita da brasileirada de Braunschweig para mais um final de semana da pesada, só que desta vez não ficaríamos até altas horas numa festa na casa do chapéu. Eu precisava mostrar a eles o que era a vida noturna em Hamburgo e não havia outro lugar que não fosse a reeperbahn. No final da noite salvaram-se todos e pudemos deixar mais uma noite roxeda guardada em nossas memórias. Para coroar o fim do mês de maio nada como começar o meu tour de shows de bandas fodonas.  A escolhida para o início do tour foi a banda Beady Eye que para quem não sabe é formada pelos ex-integrantes do Oasis, excetuando-se Noel Gallagher. O local escolhido para a apresentação foi a Grosse Freiheit, nas imediações da reeperbahn, e o show, embora curto, foi genial. Fiquei a poucos metros do grande Liam Gallagher, uma das lendas do rock dos anos 90. Um verdadeiro ícone. Um sujeito que é pop porque é chato pra cacete. O cara passa o show todo parado fazendo cara de irritado e pose de soldado e ainda sim consegue ser idolatrado, mas ele merece. Afinal, ele é Liam Gallagher. E assim eu encerrei mais uma noite memorável em Hamburgo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Deutsche Reise - Ibiza, parte 1

A minha jornada na Stulz havia finalmente chegado ao fim. Foram dois meses puxados, mas bem interessantes. Apesar de eu não ter tido condições de executar tarefas e projetos mais complexos pude aprender bastante sobre o dia a dia da empresa e como os departamentos trabalham e se interrelacionam. E ainda tive a oportunidade de praticar o idioma por oito horas diárias. Gostaria de mandar meus agradecimentos para meu cunhado Ernesto pela oportunidade que me foi dada e dizer que foi uma experiência única que ajudou no meu desenvolvimento profissional e que com certeza me trará outros benefícios no futuro.

Encerrei meu contrato na quarta feira, agradeci ao pessoal mais próximo pela oportunidade e o tempo dedicados a mim, almocei e fui imediatamente para a Hauptbahnhof pegar um trem para Bremen. Lá haveria um avião me esperando no aeroporto para me levar a Ibiza, além de um pequeno grupo composto por outras onze pessoas. Sete brasileiros, Guilherme, Barretão, Rominho, Rodrigo, Alex, Kelly e Serjão (um tiozão muito engraçado que era professor do Cefet do Rio e estava fazendo um mestrado (ou doutorado, não lembro exatamente qual) em Braunschweig e havia conhecido o pessoal sabe-se lá como. Para completar o grupo havia nosso amigo alemão Christoph, uma espanhola, Marina e o nosso argentino favorito Damián e um amigo argentino dele Pablo.

Ibiza, nunca imaginei que estaria lá tão cedo. A Ryanair estava me dando a chance única de conhecer essa maravilhosa ilha por apenas 60 euros. Quando a turma me informou sobre esta viagem e eu constatei que a data coincidia exatamente com o dia em que eu encerraria meu estágio eu não pensei duas vezes, entrei na internet e comprei minha passagem imediatamente. Desta vez não tive nenhum imprevisto com a Ryanair, tudo ocorreu sem nenhum tipo de problema.

Não tivemos problema nenhum com a Ryanair. Já com a locadora de carros a história foi bem diferente. Para cada carro eles pediam um depósito de 500 euros para servir como caução, como eram três carros, precisavamos pagar 1500 euros. Só que cada carro tinha que estar registrado no nome de uma pessoa e esta pessoa teria que ter os 500 euros disponíveis em sua conta. Somente Damián e Alex tinham condições de ficarem responsáveis por um carro. Os demais ou estavam sem carteira de motorista ou não tinham a quantia necessária. Como eu tinha a carteira e o dinheiro me ofereci para colocar o terceiro carro no meu nome. Só que a funcionária da companhia disse que com 18 anos era permitido dirigir, mas a locadora só registrava o carro para pessoas a partir de 22 anos. Nunca imaginei que com 21 eu fosse me sentir um moleque.

No fim das contas tivemos que ficar apenas com dois carros mesmo. Não parecia ser um grande problema. Considerando que era uma ilha podíamos usar um dos carros para fazer duas viagens sempre que quiséssemos ir para algum lugar. Não seria tão demorado assim.

Só que a tal da ilha não era uma ilhazinha qualquer não. Era muito maior do que eu imaginava. No caminho para nosso albergue não vimos um sinal sequer do mar, só montanhas. Outra coisa que pudemos constatar também foi que Damián era um péssimo motorista. Ele tentava se guiar através do GPS de Christoph, mas isso só atrapalhava. Já no dia seguinte descartamos o GPS, pois havia placas em todos os cantos para nos indicar os caminhos que deveríamos seguir. Agora quando eu quiser reclamar de alguém no trânsito, ao invés de dizer que a pessoa tirou carteira na paraíba vou dizer que tirou na Argentina.

O nosso albergue na verdade era mais uma pousada do que um albergue. Quartos bem confortáveis, toalhas em cima da cama como num hotel, camareiras todos os dias para dar um trato no quarto, tudo a um preço bem camarada. Havíamos tido sorte com a nossa habitação. Mas sabíamos que Ibiza não era nem de perto um lugar barato, então tínhamos que economizar onde fosse possível. E uma das formas de economizar era comprando no supermercado a comida do café da manhã e dos lanches.

Primeira manhã em Ibiza, hora de pegar o mapa (daqueles de papel mesmo, nada de gps fajuto), decidir para qual praia iríamos e então subir as montanhas. As estradas eram totalmente conservadas, mas era um tal de sobe e desce, curva pra esquerda e pra direita o tempo todo. Acho que ninguém esperava que a ilha fosse ser tão grande assim. Chegamos na primeira praia, tiramos algumas fotos aqui e ali, e quando eu botei o pé na água... medo! Gelada pra caramba! Resolvi que era melhor ficar só de boa, apreciando a paisagem, até porque eu ainda não tinha passado protetor e não estava afim de virar um camarão já no primeiro dia de praia. Mas os outros não pareceram se importar muito com isso. Depois de um banhozinho no mar e algumas fotos, pegamos a comida no carro, procuramos uma sombra e fizemos aquela velha farofada. Pão, presunto, queijo, frutas, água, suco, tudo o que um bom café da manhã precisa ter. Não preciso nem dizer que eu me empanturrei de pão, hehe.

Só que já nessa primeira parada rolou um pequeno acidente. Nosso querido tio Serjão caiu de uma pedra, deu uma ralada na perna e teve alguma bronca com o joelho. Ainda tivemos tempo de seguir para uma outra praia (também com a água geladinha) e deboar mais um pouco. Depois tivemos que passar numa farmácia, comprar uns remédios pra Serjão e alugar um par de muletas para o mais novo aleijadinho do pedaço.

Chegando a noite, era hora de começar os preparativos das fiestas. Como era uma quinta feira e a alta temporada ainda não havia começado nenhum dos nightclubs fodões de ibiza abriria nesta noite. Nossa opção era passear pela cidadezinha de San Antoni onde estávamos hospedados. Logo encontramos a rua dos bares e boates onde se concentrava a grande maioria da galera que estava na cidade. E o que vimos foi uma verdadeira invasão britânica. O que tinha de inglês nessa rua chegava a ser irritante. E a turma fica do lado de fora dos bares chamando o povo que está na rua para entrar. Abordavam a gente com aquele sotaquezinho cabuloso e falando feito retardados (hey guys... here...two beers...pay one...nice... yeah!). E quando entrávamos nos estabelecimentos a maioria estava praticamente vazia. O grande momento da noite foi protagonizado por duas piriguetes que encenaram uma luta livre no meio da rua. A melhor parte da noite foi que eu acabei não gastando dinheiro com bebida na rua.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Fim do novo emprego e Hafengeburtstag

E a vida em Hamburgo seguiu seu rumo, fui conhecendo algumas pessoas novas com o tempo, continuei meu trabalho na firma e agora estava bastante animado com o novo serviço no restaurante dos americanos. Meu trabalho era o trabalho de qualquer garçom comum. Anotava os pedidos dos clientes, repassava para a cozinha, servia as bebidas e as comidas quando estava tudo pronto.

Um detalhe interessante era o cardápio do estabelecimento. Na primeira página estava escrito algo do tipo “hambúrgeres não são feitos para serem comidos com garfo e faca, então por favor, ao menos se esforce um pouquinho para tentar comer o maldito hambúrguer com as mãos!”. O detalhe é que não era um hamburguerzinho desses que a gente encontra na maioria das lanchonetes. Eram hambúrgueres de 250g que eles colocavam dentro de um pãozinho minúsculo. Coisa de americano mesmo. Tive a oportunidade de provar um dos hambúrgueres duas vezes no final do turno de trabalho.

Parecia o trabalho dos sonhos. Como o restaurante ainda não estava recebendo muitos clientes, era possível revezar os dias de quem ia trabalhar ou não. Então eu não teria problemas para viajar para Ibiza. Só que o meu sonho não durou muito tempo. Depois de trabalhar por cinco noites e lucrar aproximadamente 200 euros, Tim veio me dizer que o movimento ainda estava baixo e ele não precisava de tanta gente trabalhando como garçom no momento. E nessa hora a minha  falta de experiência falou mais alto. Ele me disse que eu ficava meio travado na hora de atender os clientes, que não me comunicava com muita clareza e isso dificultava um pouco as coisas. No final das contas, ele não ia mais precisar de mim. Agora eu realmente tinha todo o tempo do mundo para viajar para Ibiza.

Depois dessa pequena decepção só me restava tentar voltar a procurar algum tipo de serviço. Só que eu não ia fazer isso durante um fim de semana. Fim de semana é o momento de tirar as preocupações da cabeça. E este seria um fim de semana bem especial porque desta vez era a turma de Braunschweig que viria para Hamburgo.

Enquanto uma parte do pessoal viajou para Praga, a outra parte resolveu ir para Hamburgo para aproveitar as comemorações do aniversário do porto. Uma caravana enorme havia vindo de Braunschweig para passar o dia em Hamburgo e retornar cedinho no domingo. Mas como eu era agora residente de lá, ofereci com muito prazer os metros quadrados de chão do meu quarto para a visita de Rominho, Rodrigo, César e Kássio.

No início da tarde fomos para o porto, que estava lotado de gente. O rio Elba estava tomado por barcos, navios, iate e qualquer outra coisa que flutuasse, uma verdadeira festa alemã com direito a várias barraquinhas de cerveja, comida, jogos e outras coisas que os alemãs adoram. Nos encontramos com nosso mascote argentino Damián que estava com um grupo de espanhóis. Depois do passeio pelo porto nos encontramos com Rodolfo e Marina e fomos todos para um parque relaxar até o sol se por.

Mas no final não houve nada de relaxante no passeio pelo parque. Encontramos uma outra turma e alguém dessa turma tinha uma bola. Era só o que precisávamos. Uma parte do grupo passou o resto do tempo jogando uma pelada daquelas bem peladeiras mesmo enquanto a outra parte ficou batendo papo sentada na grama. Eu fiquei na parte dos peladeiros, afinal, eu ainda não havia jogado futebol desde que chegara na Alemanha. Não preciso nem entrar muito em detalhes sobre a pelada, pois quem me conhece sabe o nível do meu futebol. Depois de muito tempo consegui acertar um belo chute e fazer a bola ir parar num lago que estava bem longe do campo. Sinal de que era hora de irmos embora. Kássio foi resgatar a bola e nós resolvemos encerrar o jogo.

Era hora então de reunir a cambada para voltar para casa, jantar e começar os preparativos para a noite de Hamburgo. Fizemos uma macarronada, compramos vodka, tomamos banho e iniciamos os trabalhos. E considerando que eu moro bem pertinho do centro da cidade, todas essas etapas nos consumiram bastante tempo. Quando chegamos nos arredores da Reeperbahn já era cerca de meia noite.

Encontramos Damián e sua turma, que haviam tomado outro destino, e lhes entregamos alguns packs de cerveja que eles tinham encomendado. Só que na Reeperbahn não era permitido caminhar com garrafas de vidro, então eles precisariam beber em outro lugar. Nisso Rodolfo havia me ligado avisando que rolaria uma festa de um amigo de um amigo dele e todos eram bem vindos. Não precisou falar duas vezes, lá fomos nós, um grupo de cerca de 15 pessoas para invadir a festa do maluco. A ideia era ficar lá bebendo até umas duas da manhã e depois voltar para a Reeperbahn. Bem, ficou só na intenção mesmo.

Acabou que todo mundo curtiu demais a tal da festa, fomos ficando, ficando, ficando... e levando em consideração o grupo grande que estávamos, reunir todo mundo para ir embora foi uma tarefa complicadíssima. No final das contas acabamos chegando na Reeperbahn perto das seis da manhã. Aproveitei para dar um pulinho na McDonald’s e comprar aquele velho cheeseburguer-anti-qualquer-bebedeira e renovei minhas energias. Nesse trajeto o grupo se dividiu em vários outros grupos menores e eu acabei encerrando a noite (que agora já era dia) no Fischmarkt com os outros sobreviventes. No final das contas a Reeperbahn que era o motivo principal da vinda do pessoal para Hamburgo foi totalmente esquecida. Depois de reencontrar alguns dos outros intercambistas de Braunschweig que tinham ido passar o dia em Hamburgo também e bater um papo com eles era finalmente hora de voltar para casa. Reuní Rodrigo e Kássio que eram os dois que estavam por perto naquela hora e fomos encarar a longa viagem de metrô para casa. Chegamos em casa sem qualquer notícia de Rominho ou de César, mas quando estávamos prestes a dormir Rominho ligou dizendo que havia dormido no metrô no caminho para casa, chegado até o ponto final e feito o percurso contrário para voltar ao centro, mas que estava quase chegando em casa. Com o sono que eu estava tudo o que eu disse foi “eu não me levanto pra abrir a porta pra ninguém, um de vocês dois vai fazer isso” e apaguei.

O domingo já começou com aquela cara de domingo. Todo mundo morto, meio lento, sem conseguir raciocinar direito. Aos poucos fomos retornando ao nosso estado normal e começaram a surgir comentários e histórias de tudo o que havia acontecido na noite anterior. Para preservar a reputação dos meus colegas (e a minha) não entrarei em detalhes sobre o que aconteceu. Talvez eu fale disso pra quem estiver interessado quando voltar para Recife. E assim havia terminado mais um fim de semana. A turma voltou para Braunschweig e só me restava descansar mais um pouco para recuperar as energias e me preparar para meus três últimos dias de trabalho.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Novo trabalho

Mais uma semana de estágio se iniciava. Mais uma semana para eu praticar meu alemão, aprender um pouco sobre a empresa e tentar dar uma mãozinha quando fosse possível. Só que agora eu estava começando a entrar na reta final do período do estágio. Na minha entrevista ficou definido que eu ficaria na empresa durante dois meses para aprender como ela funciona como um todo. Depois desse período, dependendo do meu interesse em uma área específica e da disponibilidade deles poderiámos prolongar o período do estágio por mais um mês. Só que a vida em Hamburgo estava ficando mais cara do que eu imaginava e eu estava cada vez mais interessado em ganhar dinheiro de alguma forma para amenizar as despesas do dia a dia aqui e conseguir juntar uma grana legal para fazer algumas viagens durante o mês de julho.

Como não havia garantia de que estendendo o meu período de estágio na Stulz eu passaria a ganhar alguma coisa, resolvi que era melhor tentar descolar algum emprego que eu pudesse ficar durante os meses de maio e junho. Comecei a pesquisar informações na internet e acabei por encontrar um site que oferecia várias oportunidades de emprego em tudo quanto era tipo de negócio. Selecionei alguns que me pareciam mais interessantes, mandei alguns emails e fiquei no aguardo das respostas.

Já havia me preparado psicologicamente para começar a receber vários emails com a maldita palavra “leider” que me atormentou bastante durante os meses em que eu estava procurando um estágio. Mas para a minha sorte já no dia seguinte ao que eu mandei os primeiros emails recebi uma resposta de um sujeito informado que caso eu tivesse interesse que desse uma passada no estabelecimento dele no dia seguinte. Com um detalhe, o sujeito disse que não falava alemão muito bem e me respondeu o resto do email em inglês. Bom sinal. Sem hesitar eu saí no dia seguinte do estágio direto para o local indicado.     

Chegando lá me deparei com um local anda bem empoeirado e desarrumado, com caixas e outras tralhas para tudo quanto era lado. O lugar simplesmente ainda não havia sido inaugurado. Os donos eram dois americanos. Tim e John, que tinham um bar/restaurante especializado em carnes e hambúrgueres e tinham um estabelecimento em Berlin há cerca de 5 anos e agora estavam prestes a inaugurar sua filiam em Hamburgo. Além de mim outras 4 pessoas haviam aparecido para ver se conseguiam um trabalho. Tim esplicou que como eles estavam começando agora, só tinham gente contratada para trabalhar na cozinha e que precisavam de garçons urgentemente, então estavam contratando quem tivesse interesse. Ou seja, cheguei lá, disse que topava ficar de garçom e simplesmente arrumei o emprego. Foi muito mais fácil do que eu imaginaria nos meus melhores sonhos.

O estágio continuou seguindo no mesmo ritmo. Pelo menos nas últimas semanas eu já não precisava mais chegar lá às seis da manhã. Nos departamentos por onde passei nas últimas semanas o turno do pessoal começava às oito horas. Eu saía de lá um pouco mais tarde, mas pelo menos não precisava mais me preocupar em estar na cama para dormir antes das dez. E aos poucos eu me aproximava do final do estágio.

 Nesse meio tempoconsegui descolar mais um tempinho para dar outro pulo em Braunschweig. Desta vez para participar de um churrasquinho no parque com a galera. Acabei descobrindo que havia um Stadtpark em Braunschweig (assim como em Hamburgo) onde a maioria do pessoal vai nos finais de semana quando a temperatura volta a subir. Pelo visto é o programa preferido dos alemães. Enquanto os brasileiros vão à praia no domingo e fazem aquela farofada, os alemães vão para o parque, tomam sol, bebem cerveja, jogam bola e fazem um churrasquinho de linguiça e salsichão.

O nosso churrasco pelo menos foi um pouco mais saboroso. A turma tinha comprado alguns pedaços de carne de porco já temperados e bastava apenas colocar na churrasqueira e esperar. Só o fato de colocar uma carne na grelha pra assar já era uma forma de matar as saudades desta experiência culinária brasileira. E para acompanhar o churrasco muita cerveja. Após a turma ter contabilizado os ganhos da festa, terminou que não houve lucro nem prejuízo e sobraram muitos litros de refrigerante e suco, além de quase 20 grades de cerveja daquelas garrafas de 330ml. Então eu tinha que pegar a minha parte dessas sobras, hehe. Para encerrar a tarde ainda aproveitei para acompanhar a semi final do pernambucano com meus colegas rubro negros Rominho e Rodrigo. O resultado do jogo, bem, essa parte todo mundo já sabe, então prefiro não comentar.